CORES DA VIDA: MARROM (SONETO XIV)

 

Uai, aqui em Minas tem muito ‘trem bão’:

Trem para passear por todas as ‘gerais’,

Tem trem pra beber e comer, ‘bão demais’

Mas, tem também os ‘trens’ da mineração!

 

Janeiro Marrom[1] soa pelas muitas Minas,

Como apito de trem atravessa as Serras,

Na Itabira de Drummond faz seus alertas,

No sertão Roseano inspira vidas e rimas!

 

Por Bento Rodrigues e Mariana, Minas clama,

E não precisa de outra Brumadinho na lama,

Minas não quer mais o marrom do minério!

 

Minas, quer o verde de suas serras e matas,

Minas, quer o azul dos rios e belas cascatas,

Minas não quer se tornar um grande cemitério!

 

SÉRIE: CORES DA VIDA

ESTEVAM MATIAZZI- 25 DE JANEIRO DE 2021

 

 [1] Janeiro Marrom Campanha idealizada por Guto em parceria com o Movimento pelas Serras e Águas de Minas (MovSAM) em memória das vidas ceifadas no rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão da Vale em Brumadinho, no dia 25/1/2019, foi criada em 2020. A proposta é envolver um coletivo de organizações e movimentos. Em 2020, quando Janeiro Marrom foi criado, Hoje dia 25/01/2021 faz 2 anos do crime da Vale em Brumadinho. Crime que permanece impune mesmo com a morte de 272 pessoas, sem contar os graves impactos socioambientais ao longo do Rio Paraopeba. É preciso lembrar também da Barragem de Fundão em Mariana que completou 5 anos em novembro passado. Para quem quiser conhecer, divulgar e ajudar, visite o site da Campanha Janeiro Marrom, para mais informações.  https://www.janeiromarrom.com.br/

Assista aos vídeos e ouça as cançãos “Um canto para Brumadinho” com Isamara Goetten e Renato Goetten e “Cacimba de mágoa” com Gabriel o Pensador e o grupo Falamansa:

12 comentários

  1. Os poetas sabem mais dessa vida e até sabem mais da outra vida que nós outros, pessoas comuns .
    Dessa maneira, por meio de seus poemas, eles impedem que a injustiça seja esquecida.
    Neste soneto, o eu lírico demonstra o marrom da lama que matou centenas de pessoas, todavia, há a possível interpretação da lama da injustiça, da impunidade, do descaso.
    Assim sendo, vem a voz poética buscar o verde de nossas serras, a esperança de nossos imortais, a luz que a justiça pode trazer para a sociedade.
    Se os mortais por desinteresse ou incapacidade não buscam a justiça, cabe aos imortais autores alertarem as nossas consciências na busca de um novo alvoecer em as nossas Minas Gerais.
    Justiça, por favor, limpe esse marrom de nossa alma e coloque a esperança das verdes serras em nosso olhar é assim que os poetas cravam seus textos em nossas vidas pacatas e conformadas.

    Curtido por 1 pessoa

    • Olá Márcia, dando-lhe trabalho nas férias… rsrsrsrs… Nossas Minas, o Estado e as geológicas não são tão pacatas mais… Vivem a se mover não por vias naturais, mas, pela ganância dos que controlam os capitais…
      Abraço fraterno.

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    • Olá Silvana, sinceramente, não sei o que ele disse após 1 ano… Sei que depois de 2 anos, ele continua a atacar a todos que o contestam com palavras de baixo calão e piadas de cunho obsessivo sexual preconceituosas.
      Fraterno abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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