PANDEMIA LUNÁTICA

A lua outrora era habitada… Agora, está vazia, quase sem nada… Boa parte do tempo fica sombreada… O sol, ciclicamente joga luz em sua face e sua beleza passada é revelada…

 Narra-se que um dia,

A vida que nela existia,

Vivendo em plena alegria,

Foi entristecida por uma pandemia…

Autoridades disseram ser uma gripezinha, afirmavam ser histeria, e perguntavam: e daí? Não somos coveiros e todo mundo morre um dia!

 Não deixavam números divulgar!

Invasão de hospitais: chegaram a incitar!

Leitos vazios queriam filmar…

Hidroxicloroquina sem a ciência comprovar,

Compraram pra população tomar…

O discurso era: vamos tocar a vida, bundões têm mais chance de morrer, isto é conversinha, coisa de fracos, assim não pode ser, a lua não é para maricas!

Milhões de testes esquecidos:

Diziam: não damos bola pra isso!

Pra que esta ansiedade e angústia?

Estamos no finalzinho da pandemia!

Dúvidas: pergunta pro vírus!

Houve uma esperança: cientistas começaram a apresentar vacinas, comprovadas e com segurança… As 66 luas de Júpiter, entre elas, Europa, também tiveram a pandemia e já usavam a vacina…

Autoridades lunares (ou lunáticas?)

Insistiam: por que da pressa da vacina?

A vacinação não será obrigatória!

Vacinação obrigatória é antirrábica!

Cuidados como usar máscaras, só o faziam quando na água iam mergulhar… Ironizavam que era para os peixinhos não contaminar…

 A lua esburacada por meteoritos,

Estava entregue aos ditos e desditos!

O pouco oxigênio escondido,

Era da vida o único resquício!

 Qualquer semelhança com a realidade é só mera coincidência, pois, isto se deu há milhões de anos, quando a terra ainda era plana e o sol girava em torno dela…

ESTEVAM MATIAZZI- 18 DE JANEIRO DE 2021

Ouça com Nenhum de nós, Astronautas de Mármore. 

 

20 comentários

      • O poema apresenta um narrador que se dirige , em tom professoral, próprio de quem já refletiu muito sobre o assunto, a um hipotético interlocutor,que escreve-ou pretende escrever- para seus leitores do futuro.
        No futuro, fica mais fácil a denúncia, não há censura, não há o temor de se ser descoberto e criar divisões de pensamentos.
        O texto ganha um sentido épico, uma vez que relata ,em versos, a história de um tempo conturbado.
        No aspecto formal, o autor aproximou sons, provocando uma musicalidade ao texto que, se tivesse continuado nessa seleção de palavras, teria feito um texto bem próximo aos textos de cordel, que por serem populares, acabam tendo um teor aproximado das crônicas.
        Assim, de modo surreal, lunático, o texto faz a catarse ao lançar o leitor no futuro , olhando para lua e lendo nela a versão histórica de quem viveu na carne o ano de 2020.
        Os poetas são bênçãos que transportam a que lê para onde há oásis, refletindo com palavras as dores humanas- surreal.

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  1. Teu poema chegou no Dia D, Hora H…com uma “pequena” diferença: no tempo certo. Ou que estão escrevendo a outra história, bom, esses espero que sejam apenas passado e um pouco mais para que nunca mais se repita (as atitudes). Poema para sala de aula, grupos de discussão, etc… abraço sulista, tche!

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  2. Espetacular, temos que ir em frente, sem vacilar, viver no mundo da 🌒 as vezes é bom sou um pouquinho, mas de vez em quanto, voltar a terra se faz necessário, que tenhamos paciência e cuidado, a vacina prá maioria ainda é um sonho neste país de falcatruas, temos que nos pecavrer até depois de ser vacinado se não em vez.de jacaré é a vaca que vai para o brejo, parabéns Belo poema. Um abraço fraterno do Poeta Carvoeiro

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