NOS PASSOS E BRAÇOS DA POESIA

151 dias de Isolamento Social (numa pseudo quarentena). Dia destes li um poema do grande poeta mineiro, Geraldo Cunha[1], intitulado “Deixe-se levar”[2], bem ao seu estilo, sucinto e direto. Desafiamo-nos, então, a escrever outro poema cada, a partir da proposição ‘deixe-se levar’. Eis o que consegui escrever… 

 

Cedo aprendi a andar

Tarde, não aprendi dançar

A poesia veio comigo bailar

No seu ritmo é só rimar

 

Cedo aprendi a falar

Pra injustiça não vou calar

A poesia veio me abraçar

Seus versos é só declamar

 

Cedo aprendi a trabalhar

Tarde, nem violão sei tocar

Na poesia deixo-me levar

Seus braços a me embalar

 

Cedo aprendi a escrever

Também cedo aprendi a ler

A poesia veio comigo viver

Seus passos me ensinam a Ser

 ESTEVAM MATIAZZI-15 DE AGOSTO DE 2020

 

[1] Geraldo Cunha é um grande poeta de poemas curtos, Traz na escrita os traços dos/as mais renomados/as escritores/as mineiros, como, Fernando Sabino, Drummond, Adélia Prado. Ele administra o Blog Divagações & Pensamentos, no wordpress. (Vale à pena visitar e ler seus poemas).

[2]Eis o link para leitura do poema:

https://divagacoesgcc.wordpress.com/2020/08/01/serie-experimentacoes-deixe-se-levar/

“Então flutue” é o poema escrito pelo poetamigo, Geraldo Cunha, para fazer alusão aqui também á poetisa mineira sempre inspiradíssima Alda Santos do Blog Vida Intensa Vida, que cunhou a palavra poetamigo. Link abaixo para ler ‘Então flutue’

https://divagacoesgcc.wordpress.com/2020/08/15/nos-passos-e-bracos-da-poesia-desafio-poetico-entao-flutue/

33 comentários

    • Uhuuuu Não é que eu consegui em partes, claro, ser mais sucinto… Gosto muito de seus poemas curtos e suas experimentações… aprendendo muito contigo, meu caro Geraldo. Valeu, vou editar para colocar o link do Então Flutue… Parabéns e obrigado meu caro.

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      • No passo a passo do bailado do eu lírico, às vezes, ele se pinta sol, noutras, ele se pinta terra.
        A vida segue um curso que a palavra poética, segundo o poema, salva a voz lírica da circunstâncias duras do dia a dia .
        Nesse bailado,que se chama vida, há um ardor de emoções que se contradizem, mas que tornam o ser melhor, otimista e , principalmente, resiliente.
        No traçado poético, a palavra pesada se transforma em pluma de luz ,no risco da pena da idealização.
        Sigamos dançando nesse bailado que eterniza!!😍

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  1. Estevan é um poeta que consegue com sua escrita nos mostrar que podemos com as adversidades, como este isolamento social (que ele chama com humor único de pseudo quarenta) imposto pela natureza em evolução e diante da sua necessidade de respiro, que é preciso tirar o melhor proveito de todos os momentos da vida, mas que também não podemos nos calar diante dos conflitos sociais, e isto é muito forte na sua poesia.
    Deste desafio nasceu esta linda poesia, que eu me atrevo a “subtitular” de cedo ou tarde, pois nunca é tarde para nos aventuramos a algo de novo e foi este o sentimento que me veio da leitura cadenciada de cada estrofe. Abraço fraterno e gratidão. São estes encontros que (re)significam a vida.

    Curtido por 1 pessoa

    • Gosto muito desta palavra meu caro Geraldo. Ressignificar… Considero-a mais simbólica (pleonasmo proposital), até que resiliência, que também é uma palavra de um simbolismo muito forte. Admiro sua capacidade objetiva para escrever, como tão bem representada no comentário acima. Matutei até para encontrar um título para meu poema, não consegui… Na primeira leitura tu já conseguistes: Cedo ou tarde… Pra quê mais? Valeuuuuu, mais uma vez, meu caro.

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  2. Com esse poema metalinguístico, o eu lírico demonstra a importância da poesia para a sobrevivência psíquica e para a compensação do que a vida lhe negou.
    O verso ,no qual a voz lírica afirma que não aprendeu a dançar, traz-me uma identificação imediata.
    Não sei dançar, a dança é meu outro fascínio.
    Apesar de não saber dançar, o poeta sabe rimar, sabe selecionar palavras e ,dessa maneira sublime, sabe emocionar os sensíveis e despertar os insensíveis.
    Na poesia, o poeta se eterniza e será admirado e querido até pelos que sabem dançar.
    Compondo o eu lírico cria a dança Maravilhosa das palavras.
    Que belezaaaa ❤️

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