VÍRUS DESENVOLVIDO… HUMANO PERDIDO…

114 dias de quarentena… Mal feita, pra variar… Diante do mal exemplo de muitas de nossas autoridades, o que reflete no comportamento de tanta gente egocêntrica, mais um poema para marcar estes tempos obscuros…

 

Já são mais de sete horas da manhã

Já se apagou a aquela última lâmpada

Já se escondeu ao longe a neblina branca

calou mais uma voz que não mais canta

se foi mais uma vida que não mais sonha…

 

Hoje as vias não ficarão cheias de carros

Hoje a vida não seguirá o ritmo dos semáforos

Hoje os bueiros soltarão ainda mais ratos

Hoje a cidade ainda fumará os mesmos cigarros

Hoje a ansiedade estará nas salas e quartos…

 

As lojas não serão abertas aos consumidores

As escolas não receberão alunos e professores

As fábricas não admitirão novos trabalhadores

As ‘lives’ do Planalto seguem seu show de horrores

As pessoas valem menos que a ‘bolsa de valores’

 

Nos olhares desconfiados o medo espreita

Nos celulares ‘fake news’ a realidade rejeita

Nos lares, pela morte, outra família é desfeita

Nos ‘twiters’ odiosos a vida não se respeita

Nos campos sem sementes não haverá colheita…

 

A tarde chega, mas não traz consigo a alegria

A ‘hora feliz’, happy hour, não oculta as dores do dia

A coletiva de máscara parece mais uma ironia…

A vida é abandonada em nome de uma vã ideologia

A fé que ainda vive implora a Deus mais sabedoria…

 

Assim estão as pessoas com suas faces assustadas

Assim estão o mercado e as economias globalizadas

Assim estão os homens com suas visões embaçadas

Assim estão os políticos com teorias desacreditadas

Assim estão as vítimas de tantas ideias desumanizadas…

 

 ESTEVAM MATIAZZI- 07 DE JULHO DE 2020

14 comentários

  1. Vítimas do horror. Não temos para onde correr 🦠 . Com o coronavírus pegando agora nosso presidente (demorou) que estava ignorando e atrapalhando tanto as orientações dadas pela saúde e os governadores/ prefeitos… o 🦠 mostrou o seu poder. Quem sabe as coisas possam melhorar, levar com mais seriedade. É preciso mudar rápido, perdemos tanto tempo… tantos morreram devido a esta irresponsabilidade e tentar conscientizar a população pra fazer a sua parte. A esperança é a última que morre… Adorei a sua poesia Estevam. Abraços

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  2. Dio….Estamos vivendo momento desarrumado sem nossas vidas sem dúvidas nenhuma…..e quando você tem o prazer de lê um poema deste nível….o coração vai apertando mais um pouquinho…e min convenço que tá tudo desarrumado

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    • Olá, Geraldo. A sensação é esta mesma… Como nós humanos, tidos e achados os tais, os suprassumos da natureza, deixamos as coisas chegarem a este ponto? Precisamos nos fazer esta pergunta para quem sabe, nossos, filhos e netos, respondam-nos e não repitam os mesmos erros. Abraços amigo. Obrigado.

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  3. Outro dia, lendo poema do Fernando Pessoa e dizia ele “ a realidade não precisa de mim…” e, às vezes, penso que é exatamente isso que querem de todos nós: pouco importa o que pensamos, pouco importa pq ainda não temos consciência da força que temos para transformar a realidade e eles sabem disso. A narrativa foi construída para desconstruir. É essa a realidade dentro de um tempo sombrio que beira a falta de esperança, porém, como ela nunca morre, algo ainda irá se movimentar em favor da humanidade, está em nós esse movimento. Continua escrevendo, Estevam, palavras transformam também para melhor, como tua poesia. Abraço fraterno.

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    • É isto amigo. Escrever transforma ao menos quem escreve, afinal, deixar aprisionadas as palavras, corre-se o risco de explosão interna. Não podemos deixar que isto aconteça… Obrigado, amigo. Paz e Bem!

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  4. No poema, segundo a voz lírica, o ser humano está perdido.
    Tanto tempo de Pandemia, pouca modificação da humanidade.
    Estevam se sente insatisfeito, parece, conforme se verifica no verso: “hoje a ansiedade estará nos quartos e nas salas.” , preso , acorrentado.
    Assim limitado, percebendo o show de horrores que vêm dos esgotos , com o seus ratos enormes, Estevam , por meio de símbolos, sugere um alerta a todos que o leem.Ele não quer estar em solidão.
    Ao se referir sobre o vazio das cidades, das escolas, ele demonstra uma saudade.
    Saudade do que idealizou, lembrança de paraíso perdido que nunca existiu.
    O indignado está ao fluxo de pensamentos doídos em busca de uma solução para os 114 dias históricos que a humanidade experimenta sem achar um norte para melhores alvoreceres.
    Dessa maneira, limitado e perdido, com o coração sangrando,ele pede socorro a todos , ele convoca a participação de todos.
    Somente no reconhecimento das falhas, o indivíduo deixará de ser perdido- princípio teológico- descrito no poema, vivenciado por Estevam.😍

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    • Olá Márcia. Seus comentários sempre abrem horizontes… São como janelas que se abrem lá onde o sol nasce ou se põe, dando a entender que o infinito que mora em nós é o que nos faz ver para além dos limites da visão e até do pensamento… Princípio teológico, talvez… Obrigado. Paz e Bem!

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