CASA EM RUÍNAS…

A casa em destaque (Fazenda da Lagoa- Vargem do Amargoso- Ressaquinha-MG) era de meus avós paternos: José Eduardo falecido em 23 de março de 1984 e Maria Rodrigues em 12 de janeiro de 1994. Ver a casa que moraram em ruínas transportou-me no tempo, tanto para acontecimentos do passado, quanto para as expectativas de futuro…  

 

Quanta história guarda

Uma casa em ruínas?

Enquanto a tarde tarda

Entre chuvas e neblinas?

 

Aquela casa era guarida

Protegia da chuva, do frio

Com fogão à lenha aquecida

Lamparina acesa no pavio

 

O sol ainda nem raiara

A serra de serração vestida

Botas molhadas na braquiária

Prece feita pra novo dia de vida

 

As vacas reunidas na trilha

Na direção do curral, tocadas

Moda de viola no rádio de pilha

No ritmo as mesmas toadas

 

Aquela casa conta a história

Da família, da vovó e do vovô

As ruínas ativaram a memória

Quanto tempo se passô?

 

Vovó e vovô no céu já estão

A casa em ruínas na terra está

Diante da casa me pus em oração

Das ruínas vi que a vida vai passá…

 

ESTEVAM MATIAZZI- 12 DE MARÇO DE 2020

 

20 comentários

    • Um tio mais velho de meu pai a herdou… Morou nela por um período, depois construiu outra casa, pois esta ficaria muito caro para reformar… E ela está assim, em ruínas… Mas, a memória está viva… Obrigado Bia. Abraço fraterno.

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    • Olá Léo… Seus comentários são sempre amáveis e acalmam a alma e inspiram a mente… Aos poucos deixo minhas memórias e histórias gravadas/escritas para a posteridade. Neste caso, inclusive, de meus ancestrais… Abraços.

      Curtido por 1 pessoa

  1. todos nós temos uma casinha velha na memória, tudo vai passado devagarssinho bem mansinho tão sutil Ah seu moço vomiscê vê que o tempo passô deixo aqui em homenagem ao seus avós um estrofe do poema cabloco do sertão
    ” Ah seu moçô eu já ia me esqueceno antes de nois drumi ocê enrola um cigarro Pra morde nois dois pitá …
    Eu vou pegá a Viola e moda cantá está moda fala do meu sertão, fala do luá prateado que clareia este chão…
    Não há ô gente ô não luá como este do sertão (bis)…

    Curtido por 1 pessoa

  2. Bem sabes o quanto ”ruínas”, detalhes do passado me tocam, me fazem questionar o tempo e a nossa própria história. Mesmo ali, jamais estará em silêncio e esse diálogo nos faz mais conscientes. Gosto de textos assim, que fluem na corrente sanguínea da vida. Grande abraço.

    Curtido por 1 pessoa

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