OS RIOS DE MINAS…

Caixa d’água do Brasil, Minas Gerais tem em seus rios, verdadeiros canais de vida para milhões de pessoas, além de garantirem uma biodiversidade incalculável… Neste poema faço uma reverência aos Rios de Minas. Bem como um alerta sobre como temos levado à morte estas veias e artérias que garantem nossas vidas…

Mineiramente desconfiados,

Nascem no alto das serras,

Olhos d’água molhados,

Abrem-se do âmago da terra,

Brotam límpidos, imaculados,

Epifania de vidas que descerra!

 

Ligeiramente gestados,

Desenhos nos relevos esculpidos,

Braços abertos enamorados,

Correm nos campos como cupidos,

Mas, seus corações flechados,

Sangram quando são poluídos!

 

Mansamente transformados,

Tornam-se fortíssimas corredeiras,

Em terrenos menos inclinados,

Parecem dormir tardes inteiras,

Mas, tão logo são acordados,

Despencam em lindas cachoeiras!

 

Fortemente castigados,

Pelo escaldante sol do sertão,

Jequitinhonha tão amargurado,

Chora a seca do eucalipto no chão,

Mucuri, também maltratado,

Sofre pela mesma ambição!

 

Discretamente calados,

Levam vidas a cidades e florestas,

Rio Paraopeba enlameado,

Agoniza por práticas desonestas,

Rio das Velhas abençoado,

Suas águas é o que nos resta!

 

Suavemente adocicado

Rio Doce, quem o irá salvar?

Paranaíba, Rio Grande aumentado,

 Aumente nossa sede de amar,

São Francisco tão consagrado,

Leva-nos até o mar, doce mar…

ESTEVAM MATIAZZI- NOVEMBRO DE 2019

26 comentários

    • Olá Cris, sempre um prazer sua presença… Curioso, os dois Rios mais afetados pelas tragédias da Vale em Mariana e Brumadinho nascem muito próximo um do outro: O Rio Doce, nasce em Ressaquinha, cidadezinha da família de meu pai, na Zona da Mara mineira e o Rio Paraopeba, nasce em Cristiano Otoni, cidade da mesma região. As duas cidades estão distantes apenas uns 30 Km. Curioso: O Rio Doce vai em direção à Zona da Mata e desemboca no mar do Espirito Santo. Já o Paraopeba, vai noutra direção, passa aqui na Região Metropolitana (inclui Brumadinho) une-se ao Rio São Francisco, que por sua vez desemboca entre Alagoas e Sergipe.

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