CORTINAS DE FUMAÇA…

Alguns alunos/as me perguntaram qual é o sentido da expressão “cortina de fumaça”… Há tempos não chove por estas bandas… É mês de agosto… Olhei para as serras, para o horizonte… Ouvi notícias do país numa rádio… Escrevi este poema para responder-lhes…

 

As narinas estão ressecadas

Fumaça não se esconde

As vistas estão cansadas

Bombeiro não responde

Olha a quantidade de queimadas…

 

Umidade do ar muito baixa

Olhe o horizonte

Céu azul: a vista embaça

Perto ou distante

Olha quanta cortina de fumaça

 

Autoridade que só diz falácia

Besteiras aos montes

Causa instabilidade e arruaça

Cercada de brutamontes

Age como criança que faz pirraça…

 

A cada entrevista uma ameaça

Palavrório de afronte

Para o povo deseja a mordaça

Retórica que amedronte

Serão suas falas ‘cortinas de fumaça’?

 

Além das ‘cortinas de fumaça’

Existem horizontes

Atém dos muros e das farsas

Existem pontes

E caminhos… que a vida refaça…

 

 ESTEVAM MATIAZZI- 15 DE AGOSTO DE 2019

15 comentários

  1. Parabéns, amigo Poeta Estevam!!! Como sempre belo poema!!! A esperança é que: “Alem do horizonte deve ter algum lugar bonito pra viver em paz” como canta Roberto Carlos!! Abraço!

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    • Confesso-lhe que quando escrevi não tinha esta música do Roberto na cabeça, mas, quando terminei a última estrofe, a música veio à tona… inspiração escondida talvez… Obrigado pela leitura, meu caro Renato.

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  2. Estevam, já percebeu como você escreve como os repentistas o fazem: as rimas, o ritmo, a crítica social e política. Sinto-me quase a ouvir um desafio repentista. Não sei que leituras você tem desse tipo de literatura, talvez seja apena intuitivo, mas a cada poema seu mais ouço os repentes. Abraço

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    • Obrigado pela leitura e percepção tão detalhista desta singela escrita, Odonir. Confesso que não sou um leitor assíduo dos repentistas… talvez, eu seja mais um admirador do que leitor… acredito que poesia tem esta coisa da improvisação, apesar de toda sua condição literária. Acredito que ao ouvir Almir Sater e Renato Teixeira, por exemplo, me inspiro, mesmo que suas letras não sejam repentistas… Fraterno abraço.

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  3. Belo poema, amigo Estevam. Renato tem razão. Além do horizonte deve haver um lugar…… Aliás, sempre tem……… Algo que a fumaça dos sonhos, dos devaneios e da esperança nos devolva a paz e intensifique o amor. Cortinas foram feitas pra serem abertas. A decisão é de cada um…… Abcs. Vc é brilhante……..

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  4. “Cortinas” e “fumaças”são realidades ônticas, do existir humano… sempre existiram, sempre existirão…
    A consciência delas é angustiante, mas, também, belamente paradoxal.
    Obrigado, Estevão, por compartilhar um pouco de nós em sua militante escrita!

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