AS ‘CENAS’ DE BARBACENA

14 de agosto de 2020: Barbacena completa 229 anos. Republico poema que descreve um pouco das ‘cenas’ que marcam a história e a memória da cidade mineira, conhecida como a ‘princesinha dos campos[1]‘, mas, também a ‘Cidade dos loucos[2]‘, e a “Cidade das Rosas”[3]

 

Encena

Nos palcos da Serra da Mantiqueira

Sentada no trono, altaneira

Princesa

Dos campos das vertentes,

Sua beleza

carrega alegria e a dor de muita gente.

 

Em cena

Nos seus campos frutíferos e de diversas flores

Ostenta sabores e muitas cores

Serena

Desde a Borda do Campo,

Sua natureza

revela encantos, mas também desencantos.

 

Na cena

Dos palanques

De sua rica história política,

Revelas muitas mortes e vida.

Serrana

Fostes Caminho Novo

Dos Bandeirantes,

Inconfidentes, liberais e tantos outros.

 

As cenas

Guardadas na memória

Da muito nobre e leal Vila,

Para D.Pedro I eras verdadeira pupila.

Soberana

Fostes referência nacional

De forma (in) sana

Tanto para o bem quanto para o mal.

 

Barbacena

Conhecida na história brasileira

E nas terras das gerais,

Cidade dos ‘loucos’ e das rosas

Barba-em-cena

Nas suas árvores adornadas

Só não fostes capital,

Pois havia um belo horizonte

atrás da Serra do Curral.

 

ESTEVAM MATIAZZI- 14 DE AGOSTO DE 2020

 

[1] Título comum a algumas cidades do Estado de Minas Gerais, com ênfase à beleza destas cidades e suas regiões. (Em breve um poema com este tema).

[2] Referência ao período em que a cidade foi usada para tratamento da saúde mental, principalmente, de meados do séc. XIX a meados do séc. XX, quando a cidade entrou para a história de forma negativa. Sobre este tema leia os poemas Loucuras da Razão (https://estevamweb.wordpress.com/2018/07/05/loucuras-da-razao/) e Trens de doido  (https://estevamweb.wordpress.com/2019/01/16/trens-de-doidos/). Basta clicar nos links para ler. 

[3] A cidade é considerada uma das maiores produtoras de rosas do país. Meu pai trabalho mais de 20 anos em chácaras de rosas e eu mesmo trabalhei dos 8 aos 15 anos nesta mesma chácara. Leia o poema O Ser das Rosas, clicando no link que segue: https://estevamweb.wordpress.com/2017/09/21/o-ser-das-rosas/ 

9 comentários

      • Quando eu era jovem, ouvia falar sobre Barbacena nos porões da loucura.
        Mais amadurecida, eu me apaixonei por meu marido que é de Cipotânea, cidade coladinha em Barbacena.A paixão que o meu marido tem pela região se estendeu até mim.
        Ele me conta sobre as memórias afetivas que ele tem do lugar .Ele me fala sobre o ir e vi entre Barbacena e Cipotânea.
        Hoje, ao ler o poema de Estevam, revejo o lugar de origem da pessoa que tanto amo e admiro.
        O ser humano é universal mesmo; é esse o sentimento que me veio ao ler o poema.
        Quando o amar é o sentimento que prevalece, tudo se suaviza, tudo é luz.
        Com o texto, revisito as paisagens de lá, vislumbro os primos de meu esposo, todos eles são pessoas admiráveis.
        Não sei se é a condição do lugar, mas a gene da escrita parece viver no sangue dessa gente florida, que cultiva rosas e poesias.
        Barbacena, Iran Firmino, não é o porão da loucura, todavia, é o lugar onde vive o amor, onde mora a delicadeza de uma noite de luar na zona da Mata mineira.
        Gratidão, poeta!!😍😍

        Curtido por 1 pessoa

        • Que bacana este comentário tão familiar. O melhor de escrever é não saber quais emoções o texto despertará em quem o vai ler. Quando desperta boas lembranças, então o escritor se realiza. Obrigado Márcia.

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