NO CAMINHO… OS CAMINHONEIROS…

Eduardo Alves da Costa, escreveu ‘No caminho com Maiakósvki’. Seu poema é lido como se fosse do Poeta Russo, Maiakósvki. Os versos mais conhecidos são:

…Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada…

O poema segue com uma narrativa sensacional da época da ditadura militar no Brasil. Neste momento de mais uma crise no país, resolvi parafraseá-lo…

Quando criança, inocentemente
Pela seleção de 82, eu chorei…
Verti lágrimas proporcionalmente
Quando uma voz imponente
Anunciou a morte de um mineiro
E seu enterro em São João Del Rei…
Desde cedo chorando no terreiro,
Aprendi, que os ‘heróis’ da gente
Perdem, morrem, e, quase sempre
São criados para enganar o povo brasileiro…
Hoje sabemos
como funciona a história:
ela se repete, apesar das ‘roupas novas’…
Na primeira vez ‘eles’ pintaram a ‘cara’
Foram para as ruas à ‘caça de marajás’
Para ‘eles’ batemos palmas
Enquanto silenciamos as palavras…
Na segunda vez, encheram nossas casas
Mais ainda, nossas cabeças…
Descobriram nossas fraquezas
Nossas carências…
Nas varandas, muitos bateram panelas
Nas ruas vestiram camisas amarelas
Criaram quase um ‘herói’ por dia
Logo destituídos pela força da mídia…
Subiram preços nas refinarias,
Triplicaram o desemprego                                                                                              Aumentaram nosso medo
‘Diminuíram a inflação’, inventaram fantasias                                                                      jogaram nas ruas miseráveis com barrigas vazias…

Assistimos à TV
De futebol, quantos comentaristas
De economia, e outros tantos de política
As grandes emissoras até sonhos monopolizam
Há anos até manifestações mobilizam
Em nome da liberdade, da justiça?
Aprovaram a reforma trabalhista
Para esvaziar ‘privilégios sindicalistas’?
Neste jantar quem faz parte da lista?
Até quando será seletiva?
Até que a democracia fique mais raquítica?
Sabemos quem são os golpistas???

Afinal, o que mais nos assusta?
Por que nos mandam para Cuba?
O temor é a Venezuela
Ou esta carga tributária injusta?
As cargas estão nas estradas
Nos ombros do povo
Que é quem paga
E mais ainda, há anos trabalha
Para bancar tantos ’canalhas’
Que usam linguagem rebuscada
Mas, que para o povo não serve de nada…

No caminho… Os caminhoneiros
Cadê os paneleiros?
Estão trabalhando para o governo?
Foram para Miami?
Mas, e a alta do Dólar?
Sem combustível avião não pode decolar…
Até quando a inflação vão querer camuflar?
Manipulados ou não, como julgar?
Por temor, por dúvidas
Sequer sabemos a quem temer…
Temer quem quer?

Quantas perguntas!!!
Em outubro teremos eleições?
Certo é a Copa do Mundo de Seleções…
Nos dias que se passam
Outra vez, outra seleção
Novamente em ano de eleição
Alheios ao preço do arroz e do feijão…
‘Heróis’ nos campos da Rússia
Apagarão o vexame dos 7 a 1?

Por hora, o que muda?                                                                                                                  Hoje estou sem choros,                                                                                                                  Sem lágrimas, sem ilusões                                                                                                            Nem com a eleição,                                                                                                                      Muito menos com a seleção                                                                                                                  Não sigo mais os falsos heróis…                                                                                                Tenho a voz embargada,                                                                                                          Prefiro imitar os rouxinóis                                                                                    Desafinadamente… Pausadamente                                                                                        Mesmo não conseguindo ser indiferente…

        ESTEVAM.J.G

PS. Caso alguém queira ler o poema completo de Eduardo Alves da Costa, basta acessar o link a seguir: https://www.portalraizes.com/no-caminho-com-maiakosvki-do-poeta-eduardo-alves-da-costa/

6 comentários

  1. Muito bom Estevam. Você traz em suas palavras a realidade nua e crua. A sua pergunta “Por hora, o que muda?” é muito emblemática. Para mim, por hora nada muda e o pior, depois, também dificilmente algo mudará. As vezes penso que estou vendo a história sendo escrita, mas olho para o brasileiro e vejo que em seu íntimo, esse é o Brasil que a maioria quer. Ainda guardo uma esperança por essa minoria que pensa.
    Grande abraço.

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  2. Minha gratidão por seu comentário aqui Gabriel…em tempos tecnológicos, a paciência para ler e mais ainda para dar retorno, é exercício para poucos. Por isso, quando publico algo e recebo retorno fico deveras agradecido, ainda mais quando o retorno contribui para a continuidade da reflexão. Muito obrigado e, bom final de semana, sem carro… kkk

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  3. É este, possivelmente, o único país onde uma categoria que se diz empobrecida mantém uma greve por muitos dias abastecida com churrasco e forró, além de tomarem cafezinho com as forças policiais…
    O costumeiro são greves mantidas pobremente com pão e salame comprado com recursos provenientes de “vaquinhas” e temperados com muito gás lacrimogênio e spray de pimenta…

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    • É Paula…ainda considero o comodismo mais perigoso que o medo… o último nos ajuda a controlar nossas ações, apesar de também, poder paralisar-nos (e, não só os caminhoneiros). Já o comodismo é um mal em si mesmo, pois, considera tudo ‘normal’, além de ser egoísta. Obrigado pelo comentário. Volte sempre.

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