NO MEIO DO AR…

Reedito esta paráfrase de “no meio do caminho” de Carlos Drummond, não apenas para relembrar os exatos 20 anos da pedrada que acertou minha face após um clássico entre Cruzeiro e Atlético em Belo Horizonte, mas, para reforçar sempre que esta ideia de que o ‘outro’ deve ser destruído só porque torce para outro time, é de outro partido político, de outra religião, ou, simplesmente, não pensa igual ao eu, precisa ser superada entre nós…

No meio do ar jogaram uma pedra

Jogaram uma pedra no meio do ar

Jogaram uma pedra

No meio do ar jogaram uma pedra

Nunca me esquecerei daquele acontecimento…

Uma vida salva por um triz, gravado no pensamento…

Na cicatriz de minha face então esfacelada…

Nunca me esquecerei que no meio do ar

Jogaram uma pedra... Cicatrizes do tempo…

Um torcedor atirador jogou uma pedra

No meio do ar, no meio de minha cara…

Jogaram uma pedra… Num ato tão violento…

Paralelepípedo é o nome daquela pedra

Jogada no ar, no ônibus, em qualquer um…

Em alguém… Quando quebrou meu maxilar…

Os dentes… Muitos deles conseguiram quebrar…

Aquela pedra jogada no ar em mim veio acertar

Quem jogou a pedra… Jamais saberei, jamais saberá

Jogaram uma pedra no meio do ar...

Minha esperança na humanidade, minha fé na vida

Não jogaram para o ar…

 

 

ESTEVAMATIAZZI

 

 

Anúncios

7 comentários

  1. Beleza rara esse jogo de palavras. Tanta coisa mandamos para o ar, e vc pegou do ar, concretizou para a sabedoria da vida. Belo………

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s