MÁRTIRES DA VIDA, PRESENTE (S)…

Um ano depois reedito este poema em homenagem à Marielle Franco e a todos/as que não temem erguer suas vozes, prof-éticamente em nome da justiça nesta terra…

Quantos mais vão precisar morrer?

Estas palavras pelo mundo ecoam,

Nos gritos, nas vozes que ressoam;

Nas dores, nos cantos que entoam,

Denunciam os ritmos que destoam,

Nesta ganância insana pelo poder?

 

Quantos mais vão precisar matar?

Seja no Rio, no complexo da Maré,

Em Duque de Caxias ou em Magé;

Na Palestina, Síria ou em Sumaré,

Onde a justiça é defendida com fé,

E a injustiça insiste em perpetuar?

 

Quantos mais vão precisar morrer?

Na luta desigual em nome da vida,

Vítimas de ‘bala achada ou perdida’,

E até mesmo de barragem rompida;

Da fome na África quase esquecida,

Nesta terra mãe com filhos a sofrer?

 

Quantos mais vão precisar matar?

Pelo ódio a quem pensa diferente,

Pelo silêncio do poder indiferente,

Às dores de tanta gente inocente;

Da violência cúmplice e conivente

De quem tenta nossas vozes calar?

 

Quantos mais vão precisar morrer?

Por denunciar ao mundo injustiças,

De quem tira vidas ainda outoniças,

Deixa crianças órfãs assustadiças,

Apenas pra satisfazer suas cobiças;

Quantos ainda terão que padecer?

 

Mártires são vozes perenes a falar…

Luter King: não à segregação racial…

Marielle: pelo fim da exclusão social…

Irmã Dorothy: pelo trabalhador rural…

Suas vozes têm alcance universal…

Os poderosos não os irão silenciar…

ESTEVAM.J.G.

12 comentários

    • Sua sensibilidade é de uma alma pura…pensei em citar vários destes mártires…mas, preferi deixar por conta dos/as leitores/as….você é a primeira que dá este retorno gratificante para quem escreve…obrigado. Ótimo domingo.

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  1. Gosto muito dos seus sonetos.
    Este chamou- me mais a atenção .
    Demonstra uma sensibilidade que sai pelos poros.
    Parabéns, Estevam.
    Um ótimo domingo na “paz” da familia.

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  2. Muitos falam do Ibope que da a morte de algumas pessoas, quando tantos são assassinados. Mas não podemos esquecer que a diferença é que certas pessoas fazem questão de gritar em defesa de muitos oprimidos. Por isso eu as aplaudo de pé 👏👏👏👏 e tiro o chapéu.
    Você Estevam está seguindo os mesmos caminhos de denunciar de forma poética. Parabéns!!!!!

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  3. Eis a questão… Muito forte esse texto! Após a leitura me deu um nó na garganta e um aperto no peito. Que possamos espalhar mais amor por esse mundo e com nossos próprios exemplos que as coisas comecem a mudar. Hoje ainda estou de LUTO. Um abraço, poeta!

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    • Ó Franciano, obrigado pelo comentário e pela visita. O nó na garganta só consigo desata-lo de vez em quando, pela escrita. Obrigado também pelo ‘poeta’ . Não sei se faço poesia. Apenas escrevo uns ensaios terapêuticos. Fraterno abraço.

      Curtido por 1 pessoa

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