A CACHAÇA DE MINAS

13 de setembro: dia nacional da cachaça. Há 30 anos eu lambicava cachaça numa fazenda próximo à Ressaquinha-MG. (nome sugestivo para uma cidade, onde tem vários alambiques… rsrsrssrs). À época não sabia que havia um dia dedicado à cachaça, à pinga, ao … Para saber outros nomes dados à cachaça, entre outras curiosidades deste destilado tipicamente de Minas Gerais,  basta ler o poema uai… 

 

Minas não é só queijo!

Mineiro não fala só uai, sô!

Minas não é só ‘interiô’!

Mineiro não é só ‘caladão’!

Minas não é só um ‘trem bão’!

Mineiro não é só “cheio de graça’!

Minas é sim uma boa cachaça!

 

Centenas de nomes, Brasil afora,

Em Minas, segue a mesma linha.

É marvada, veneno, goró e caninha,

Assovio-de-cobra, danada e mé,

Xarope, remédio, cura-tudo e igarapé

Cobertor-de-pobre, brava e limpa-goela,

Pode ser da branca ou da amarela!

 

Entre os nomes: água é que não falta:

É água-de-setembro, água-pé e água-lisa,

Água-pra-tudo, água-bórica e água-de-briga,

Água-que-passarinho-não-bebe, água-benta,

Água-bruta, água-de-cana e água-branca;

Mas, nenhuma substitui a clássica pinga

Nem a forra-peito e nem a birita!

 

Minas é sinônimo de cachaça boa!

Pra mineiro tem sempre o gole do ‘santo’;

Mania repetida na cidade e no campo,

Pra mineiro, cachaça é artesanal,

Feita em alambique mineiramente natural

Pra mineiro, cachaça tem sabor diferenciado

Sem esta de uísque ou outro destilado!

 

Cachaça é parte da cultura de Minas:

Em todos os cantos das Gerais,

Só não pode ser consumida demais!

Pra quem aprecia esta bebida

Não importa o nome ou onde é produzida,

Se a Vale Verde de Betim ou Dona Beja de Araxá,

Ou ali de Alfenas a Autêntica-Se-Sobrá!

 

Quem viaja pelas terras mineiras,

Encontra a Providência de Buenópolis,

A Famosinha de Minas de Papagaios,

Bem como em Januária a Insinuante;

E ali no Norte entre Salinas e Novorizonte

É fácil inebriar com a Meia Lua e a Havana,

E com tantas outras como a Sabor de Cana!

 

ESTEVAM MATIAZZI- 13 DE SETEMBRO DE 2020

Ouça na voz de Inezita Barroso acompanhada por Joãozinho Tico-Tico:

6 comentários

  1. Que delícia de poema!
    É uma beleza observar o valor linguístico que ele tem.
    Na mineiridade, ele é uma pesquisa de nomes e características dos falares de nós outros das Gerais.
    O poema não se restringe ao dicionário de termos referentes ao goró, todavia, apresenta , com muita habilidade, os espaços geográficos,muitas vezes, desconhecidos por nós.
    Essa poema universaliza Minas e seus diversos lugarejos, desconhecidos da maioria do público e, mais ainda, apresenta um discurso de alteridade, uma vez que dá voz ao cachaceiro que, nesse caso específico, é o trabalhador dos alambiques- anônimos e graciosos seres que mantêm a história começada lá nos berços da senzala.
    A Língua Portuguesa e a Geografia agradecem a pesquisa , transformada em poesia. Tintim!

    Curtido por 1 pessoa

    • Tintim… Vai um torresminho e uma pinguinha? Só pra abrir o apetite… rsrsrrsrs… Motivação em seu comentário não falta Márcia, tanto para um gole quanto para continuar a escrever. Abraços.

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